Era da idade de apenas nove anos quando Hazzar pela primeira vez fugiu de casa, seu padrasto Ikrazius Laszan sempre o culpava pela morte de sua mãe Klaníncia Baddin que se suicidou logo após concebê-lo, uma vez que Hazzar era um fruto de uma traição dela, deixando ao lado de seu corpo enforcado por si mesma uma carta a Ikrazius confessando sua traição e pedindo para que ele criasse seu filho a qual deveria se chamar Hazzar, afirmando que não merecia criar o fruto de tal traição. Ikrazius nunca superou o fato de ter que criar um filho que não era seu e ainda por causa deste que nascera, perder sua mulher sem ao menos saber com quem ela teve a tal criança, sendo assim descontava grosseiramente no ainda menino Hazzar o seu desgosto e humilhação.
Vivia Hazzar explorado e humilhado por seu padrasto que a todo momento o julgava culpado pela morte de sua mãe, por várias vezes até amaldiçoava o dia em que ele nascera afirmando que Hazzar foi a desgraça em sua vida. Por não saber o que é uma família, Hazzar era um Sérpio diferente dos outros do vilarejo de Sahack em Sharkencil na Sérpia, onde morava, pois enquanto os garotos de Sahack desprezavam as outras raças ele as via com igualdade, defendia a idéia de que todos devem ser tratados igualmente, talvez pensasse assim por nunca ter recebido um tratamento de afeto por seu pai. Por muitas vezes Hazzar arranjava briga com os outros garotos do vilarejo quando este assunto era motivo de discussão. Quando fugia de casa, Hazzar sempre ia para Sallan, uma pequena vila na cidade de Sharkencil vizinha a vila de Sahack onde também ficou conhecido, pois ali ele convivia com os não Sérpios da cidade que não o desprezavam, pelo menos em sua maioria. Dormia nas casas onde o aceitavam pois preferia isto muitas das vezes do que a vida agoniante que levara com Ikrazius. Tinha Hazzar poucos amigos, aliás apenas teve um , Spike um Félis da mesma idade dele que partilhava da mesma idéia de igualdade e mesmo ainda menino tinha uma casa em Sallan sempre acolhendo Hazzar quando este estava na cidade.
Até que uma vez ao voltar para casa em uma destas fugas encontrou sua vila destruída por uma das “Ventanias Cortantes”(Fenômeno climático de Sérpia que causa ventanias formando tempestades de areia no deserto que invadem as cidades) freqüentes em Sahack e nos meios dos escombros de sua casa o corpo de seu padrasto morto, começava ali a jornada de Hazzar. Após enterrar o que restara de sua família e ficar vários dias dormindo no que sobrou de sua casa, Hazzar foi morar no templo do Deus Ômega na cidade sendo criado desta vez pelo misterioso Sahadjy Knáz da cidade, vivia Hazzar desta vez como “ajudante” de Sahadjy fazendo para ele o serviço pesado como por exemplo buscar galões d'água no poço da vila, limpar o templo, ajudar nos rituais a Ômega, carregar os materiais e utensílios de Sahadjy para lá e pra cá enquanto ao mesmo tempo aprendia com o Knáz técnicas de luta, sobrevivência e o ocultismo do Deus Ômega a qual é um mito em Dhagon e adorado pelos Sérpios. Com Sahadjy, Hazzar deixaria de ser um menino problemático e traumatizado com sua vida cheia de tragédias para se tornar um jovem Sérpio amadurecido. Quando ocorria na cidade as “Ventanias Cortantes” Sahadjy, como de costume, deixava o templo e saia em meio aos ventos para só retornar dias depois, Sahadjy falava pouco e nunca dizia a Hazzar o motivo de tal hábito, que era perigoso por sinal, porém Hazzar sempre que o questionava sobre o assunto Sahadjy permanecia calado até que Hazzar desistiu de saber o motivo para tal. Dentre estas saídas Hazzar aproveitava os dias que Sahadjy não estava no templo para visitar seu único amigo Spike na outra vila. As vezes trazia seu amigo ao templo também, Spike, agora jovem, por morar sozinho não tinha com o que se preocupar ao sair de casa.
Os dois tinham um ao outro como irmãos e tudo que Hazzar aprendera de Sahadjy ensinava a Spike, algumas vezes sem sucesso. Já Spike era um expert no uso do Arco e Flecha e ao conviver com várias raças na sua cidade contava a Hazzar tudo o que ouvia sobre os outros continentes, as raças que conhecera, culturas, histórias e lendas que os povos de outras raças traziam a sua vila. Sonhavam os dois em um dia saírem em uma jornada sem rumo conhecendo Dhagom começando por uma jornada em Sérpia vivendo seus próprios contos, como os que Spike escutava. Os dois não tinham nenhuma devoção pelos Deuses de Dhagom porém respeitavam as divindades. De certa forma um ia aprendendo com o outro, tudo o que um aprendia tentava ensinar ao outro. Como as Ventanias Cortantes eram freqüentes na cidade de Hazzar e conseqüentemente as saídas de Sahadjy, Hazzar sempre estava com Spike. E assim viveram até atingirem a maioridade , quando finalmente resolveram deixar as suas cidades e seguir sua jornada juntos. Mas isso já é outra história...
Continua...
sábado, 25 de outubro de 2008
Hazzar Badin o Sérpio fugitivo – PARTE I – A infância de Hazzar
Postado por Félix às 16:11
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